"Mas acontece que ele não me amava como eu esperava. Bom, o que estou tentando dizer é que eu entendo o que é se sentir a menor e a mais insignificante das criaturas do mundo e isso faz você sentir dores em lugares que nem sabia que existiam no corpo. Não importa quantos penteados novos você fizer ou em quantas academias entrar ou ainda quantas taças de frisante você tomar com as amigas. Você ainda vai pra cama, toda noite, pensando em cada detalhe, imaginando o que fez de errado ou como pode ter interpretado mal e como foi que, por um breve momento, você achou que podia ser tão feliz.
Às vezes você consegue até se convencer de que ele, num passe de mágica, irá ate à sua porta... e depois de tudo isso, demore o tempo que tenha que demorar, você vai para um lugar novo, vai conhecer pessoas novas que fazem você se valorizar e pedacinhos da sua alma vão finalmente voltar. E aquela época turva, aquele tempo ou a vida que você desperdiçou, tudo isso começa a se dissipar."

O amor não tira férias.
 Por que é tão difícil secar as lágrimas, erguer a cabeça, respirar fundo e seguir em frente? Ah, claro. Não posso confundir as coisas. Não é isso que é difícil, mas esquecer aquilo que dói a cada segundo.
 Bom, mas todo ser humano sabe que as feridas cicatrizam. Processo natural. E as minhas já estão cicatrizando, sem deixar muitas marcas; apenas lembranças de algo que me criou ilusão de um amor eterno, que na verdade, nem sei se foi, se quer, amor de verdade. A verdade é dura, mesmo. Mas não sou mais criança e já consigo lidar com as verdades que me esfregam na cara.
 Uma delas é que aquilo não era amor. O bom é que nem dói mais.